Ser ou não ser mãe, eis a questão! Quando eu tinha por volta de 30 anos, um relóginho despertou dentro de mim e tive uma imensa vontade de ser mãe. Nunca reparei tanto em mulheres grávidas nem tive tanta empatia com bebês e crianças quanto naquela época. Cheguei a sonhar que estava esperando um filho.
Como não estava namorando e tinha diversos planos profissionais que não incluíam um bebê, deixei os hormônios de lado e segui minha vida normalmente sem sentir falta da maternidade. Só que o tempo foi passando… E o tempo pode ser cruel com as mulheres que querem ter filhos.
Mais ou menos com 36 anos minhas amigas começaram a ter seus rebentos. Hoje sou a única da turma que não os tem. Uma realidade que poderia se transformar num imenso vazio se eu não mantivesse a mente quieta e o coração tranqüilo. Entretanto, preciso confessar que nunca me imaginei numa situação assim.
Sou canceriana. Sempre achei que seria mãe. Sempre me vi sorridente com dois filhos em volta. Mas hoje já não sei se isso se tornará realidade. Estou com 38 anos e meio, quase 39. O príncipe encantado escalado para ser meu parceiro nesse conto chamado vida ainda não apareceu.
Sorte a minha que nunca tive problemas com a adoção. Minha mãe foi criada por uma mãe adotiva e considero que minha avó e todos que vieram a partir dela são um verdadeiro presente que nossa família ganhou.
O que vai acontecer eu não sei. Apesar de enlouquecer vendo roupinhas de bebês junto com minha colega que está grávida, às vezes penso que minha vida está boa assim e que não nasci para ser mãe.
São muitas as dúvidas, mas dentro de mim há apenas uma certeza. A realidade não invalida o sonho. E sempre foram meus sonhos que me levaram além. |