A primeira vez de quem sempre esquece Deve ser porque sou publicitária, mas a primeira frase que me veio à cabeça na hora de escrever este post de estréia foi "a primeira vez a gente nunca esquece", inspirada no slogan criado por Washington Olivetto nos anos 80.
A segunda foi uma pergunta: será mesmo?
Talvez eu não seja referência. Sou do tipo que esquece tudo e mais um pouco. Nunca lembro o nome das pessoas. Tenho que anotar na agenda cada passo da próxima semana. Pior, só quando esqueço a agenda. Aí o jeito é anotar no celular e programá-lo pra despertar pertinho do compromisso. Já ouvi falar que isso é péssimo, que estimula a preguiça mental, mas a verdade é que, depois que eu comecei a ter agenda - e despertador no celular, tudo ficou mais fácil.
Difícil está sendo lembrar agora, assim de repente, como foram as minhas primeiras-vezes. Imagine, aos 38 anos a lista de recordações deveria ser imensa! A primeira vez que transei, a primeira vez que tomei bebida alcoólica, a primeira viagem paga do próprio bolso, o primeiro dia na escola, no segundo grau, na faculdade... ou pelo menos na pós-graduação, o que não faz tanto tempo assim. Que nada! Acredite, nada disso eu lembro. Acho que meu chip de memória veio bichado. Ou, como é meio antigo, deve ter no máximo uns 32Mb.
Pra ser sincera, acho que a única primeira-vez que lembro nesse momento aconteceu quando eu tinha 13 anos e dei meu primeiro beijo. Foi numa esquina qualquer em Rivera, cidade uruguaia vizinha a Livramento, onde nasci. Uma estréia internacional, portanto. O garoto devia ter uns 15 anos e, mais experiente, me agarrou de surpresa. Ao final do beijo, ele disse: "Tem certeza que tu nunca beijaste antes?" "Tenho", respondi, trêmula.
Saí dali me sentindo o máximo. Ele tinha achado que eu sabia beijar. Os treinos chupando laranja e as aulas teóricas com minha amiga mais velha tinham valido a pena. Eu sabia beijar! Agora já era mocinha.
Foi realmente um momento mágico. Pelo menos até eu contar em casa e a família inteira pegar no meu pé porque eu tinha dado um beijo de língua. "Ué, e não são todos assim?", perguntei com aquela ingenuidade que só as meninas que ainda não tinham ficado realmente mocinhas poderiam ter.
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Pensando bem, vou concordar com o Olivetto. Eu não lembro do meu primeiro sutiã e muito menos se ele era Valisère. Mas algumas primeiras-vezes são realmente inesquecíveis. |