Perdas e ganhos Em toda a minha vida, três anos ficaram marcados por grandes sofrimentos. Foram perdas as quais nem sempre eu me recuperei por inteiro.
Em 1989, fui assaltada à mão armada e agredida fisicamente. Perdi minha inocência, minha crença de que todas as pessoas eram boas e alguns amigos - que descobri não serem tão amigos assim.
Em 1996, foi a vez da decepção amorosa. Perdi um grande amor, um relacionamento maravilhoso - mas falido - e a capacidade de amar sem medo, pois me prometi que nunca mais viveria a sensação de ter deixado de ser respeitada porque o amor acabou.
2006 não foi um ano menos pior. Após um longo período de internações, tratamentos e procedimentos cirúrgicos, perdi minha mãezinha em março e meu amado irmão, parceiro de cinema e de boteco, em novembro. Um mês e meio depois, na virada do ano, perdi o emprego de mais de 5 anos num lugar que eu gostava muito de trabalhar.
Nada disso foi fácil. Se parar para pensar, não posso citar anos tão marcantes em termos de felicidade. Lembro que em 1980, aos 10 anos, eu realizei um grande sonho infantil: ser rainha do carnaval no clube que freqüentava. Em 1988, a grande conquista foi passar no vestibular da UFRGS e começar a morar sozinha. Para completar as boas lembranças, em 1998, pisei pela primeira vez na Europa, numa viagem incrível junto de amigos muito queridos, que tornaram aqueles momentos inesquecíveis para mim. Pensando bem, acho que o fato de eu ter sido contratada pela agência que sempre sonhei em 2001 também foi algo que me fez muito feliz.
Todavia, nenhuma alegria foi tão marcante quanto as perdas. Mas foram essas perdas que me transformaram na pessoa que sou hoje. Alguém que valoriza os verdadeiros amigos, a família, o trabalho, as viagens e as conversas de boteco. Que dá importância a cada minuto que vive, alegre ou triste, porque sabe que ele faz parte de um aprendizado maior. Foram as perdas que me ensinaram a ser forte. É com as alegrias que aprendo a ser sensível.
A vida é feita de perdas e ganhos. Quero terminar a minha consciente de que vivi tudo o que era preciso. |