Entre bispos, cavalos e peões Sexta-feira viajo para São Paulo. Vou ficar na casa de um “amigo”. Coloco a palavra entre aspas porque não existe definição para um relacionamento como este que estou vivendo. Ele não é meu namorado, não é apenas amigo, também não é um desconhecido. Talvez o melhor nome seja ficante, mas eu acho o termo muito feio.
Agora as coisas são assim. Não existe mais pedir em namoro. Não existe mais a certeza de compromisso mesmo que se fique várias vezes com a mesma pessoa. Resultado: a gente permanece não só sem saber definir o relacionamento como, na maioria das vezes, não sabe nem qual a melhor forma de agir quando se está vivendo um.
As dúvidas vão desde coisas bobas como “levo toalha de banho na mala?” até questões totalmente sujeitas à interpretação pessoal como “mando um torpedo desejando feliz ano novo ou vai parecer grude?”
Sinceramente, sinto falta do tempo em que tudo era preto no branco sem parecer um jogo. Agora, é como se eu vivesse num tabuleiro de xadrez, cheio de regras e estratégias. E o pior de tudo é que eu não sei jogar xadrez! Até sei como pode se movimentar cada peça, mas não faço a mínima idéia sobre as possíveis estratégias da pessoa que está do outro lado.
O jeito é relaxar e viver um dia de cada vez. Se para chegar ao Rei (ou seria meu sonhado príncipe?), eu preciso andar à cavalo, subir na torre e falar com o bispo, aqui vou eu. Já comprei a passagem, estou respirando fundo e tentando andar uma casa de cada vez.
Só tem um probleminha aí. Eu não levo jeito para ser peão. Meu desejo mais profundo é ser a Rainha e, sem barreiras, ir ao encontro do Rei. |