A escola do circo Semana passada fui ao Cirque du Soleil. Num primeiro momento, confesso, fiquei um tanto decepcionada com o espetáculo. Eu paguei quase quatrocentos reais e, apesar de estar sentada na quinta fila, não vi tudo do melhor lugar. Só que, na realidade, não foi isso que mais me incomodou. Eu esperava mais luzes, mais grandiosidade, mais brilho. E foi aí que eu percebi que o que eu queria era o meu circo de trinta anos atrás. Aquele que parecia enorme quando eu fui, que parecia iluminadíssimo, que ficava em cima do Cerro da Divisa, exatamente na fronteira entre Livramento e Rivera.
Foi preciso eu cruzar a fronteira da minha infância e voltar para o mundo de agora para me dar conta que o Cirque du Soleil tem enorme valor, mas não é exatamente no seu picadeiro (que é pequeno), nas suas luzes (que realmente não são o ponto forte do evento) ou na sua lona (que tem lojinhas demais sob ela).
O valor do Cirque du Soleil está no talento dos seus artistas. E, principalmente, nos ensinamentos que eles passam para quem os assiste toda semana. Aprende quem quiser abrir os olhos para o show da vida que está lá.
Vendo o Cirque du Soleil, percebi que a união não faz só a força, mas também um grande e belo espetáculo. Relembrei que é possível fazer graça das coisas simples. Basta ter um olhar divertido sobre a vida. Me dei conta que só tem medo quem não está preparado para o desafio, pois se você treinou, está seguro de que vai conseguir, e, portanto, consegue. E, finalmente, nem por isso menos importante, vi com meus próprios olhos aquilo que há tempos acredito piamente: se você quiser algo intensamente e trabalhar para que seu desejo se torne realidade, ele se tornará.
As lições estão espalhadas no nosso dia-a-dia. Cabe a nós aprender ou não. E você, o que tem aprendido? |