Gramado, 10 de dezembro de 2007 Poderoso e queridíssimo Toninho!
Sabe aquele ditado “Deus escreve certo por linhas tortas”? Pois é. Descobri que sou a versão moderna e real dele. Nesse momento, estou empacotando e encaixotando minhas coisinhas, pois estou de mudança. E mesmo que o destino não seja New York, estou tremendamente feliz. Em 24 horas, Toninho, começo vida nova!
Amanhã de manhã, vou acordar no meu novo lar – a casa que o João comprou para nós aqui em Gramado. Vamos morar juntos! E tem mais: dentro de um mês, estaremos casados. Faremos uma cerimônia íntima só para nossos amigos mais chegados e familiares. E adivinha aonde vai ser a “honeymoon”?
Bingo!
Nova York!
Finalmente vou visitar a Big Apple! Isso graças a uns contatos do João, que agilizaram o meu visto de entrada. Mal posso acreditar! Ai, ai...
Parece que foi ontem aquele primeiro (e desastrado) encontro que tivemos no avião. E o que dizer do medo que senti naquele domingo qaundo ele partiu de Gramado? Lembra, Toninho, como fiquei chateada? Pois é... Eu jurava que aquele “ligo pra você” era só uma forma elegante de me dispensar. Mal sabia eu o que me aguardava...
Estou tão feliz! Afinal, além de ter encontrado o homem da minha vida – e, portanto, desencalhado, no João também encontrei apoio e suporte. Ele tem sido muito especial no que se refere à minha carreira. Não cansa de dizer que sou dona de muitos e preciosos talentos e que não fazer usos deles é um grande desperdício. Tenho refletido muito sobre isso tudo.
O Senhor não faz idéia da pilha que ele está colocando para que eu volte a estudar. Estou deliciada com essa idéia, by the way. Uma especialização, um mestrado ou quem sabe até mesmo tentar um novo curso. Não era um curso que eu havia também pedido? Pois parece que ganhei também!
Assim que voltarmos da lua de mel, defino isso. Quanto ao jornal, em janeiro encerro meu ciclo por lá. Saio no início do próximo mês, após os festejos natalinos. Falando na Folha, a notícia de que eu estava deixando o jornal e do casamento relâmpago logo se espalhou pela redação.
Aliás, por toda a cidade – e acho que Dona Marilda não tem nada a ver com isso. O que eu sei é que passei a ser convidada para a maioria dos eventos que rolam por aqui. Quem te viu e quem te vê, né?
Bem, Toninho, é hora de finalizar. E não posso encerrar essa carta sem agradecer a tremenda atenção dispensada a esta sua devota aqui. Vou indicar você a todas as amigas. Serei grata para a você para sempre por ter o João em minha vida.
A propósito, confesso que estou realmente surpresa com tamanha precisão de sua parte – o João é tal qual eu lhe descrevi naquela carta. Você não esqueceu nada! Nenhum item sequer!
Por tudo isso, tenha certeza: serei a sua melhor relações públicas. Para sempre! E mesmo que eu não escreva mais com tanta freqüência, saiba, Toninho, que jamais vou esquecer o que você fez por mim. Muito Obrigada, de coração!
Eternamente grata,
Gabi |