Qual a razão de tanto sofrimento? *Por Marcelo Assis da Silva
Hoje, ao acordar, me dei conta do quanto estou viciado em meus sofrimentos. Percebi o quanto sofro por tudo. Fico ansioso querendo terminar o que estou fazendo, preocupado se vou conseguir o que quero ou se as coisas vão sair do jeito que imaginei, cheio de expectativas inúteis a respeitos das coisas, me irritando com coisas pequenas, me sentindo culpado por sei-lá-o-quê, me sentindo um lixo só por respirar, pensando no futuro e me lembrando de um monte de momentos desagradáveis do passado.
A minha mente está sempre focada em algo assim. Raros são os momentos que este chiado desagradável me deixa respirar. Algumas vezes, fico até um certo tempo livre de todo esse lixo. Mas, de repente, lá estou eu preso outra vez nesse mundo ilusório de sofrimentos.
Esses sentimentos são ilusórios porque não representam como a vida é realmente. A vida, na verdade, são os momentos de paz que sinto quando estou dissociado desse mar tempestuoso. Então, por que sofro tanto?
Sofro, porque estou viciado em meus sentimentos. Sentimentos e pensamentos nada mais são do que uma série de reações químicas dentro de nosso organismo. E por incrível que pareça, nos viciamos nessas reações porque as moléculas decorrentes delas viciam nossas células - célueas essas que possuem receptáculos para receber essas moléculas. Inclusive, quando as moléculas da emoção "x" entram nas nossas células é que passamos a nos sentir de uma determinada forma.
Nossas células, por causa de nossa predisposição natural somada ao nosso histórico de vida, vão se viciando em algumas emoções. E, com isso, o número de receptáculos referentes a essas emoções aumentam, o que aumenta a necessidade de nos sentirmos de determinado jeito e de termos pensamentos que nos façam nos sentir desta forma.
Nossa mente, então, passa a ser o palco de pensamentos que interpretam a realidade (chamo de realidade as pessoas a nossa volta, as ações destas e os acontecimentos diários) com o único intuito de alimentar o vício. A nossa noção de realidade não passa disso - de uma ilusão criada para alimentar o nosso vício pelas emoções nas quais nos viciamos.
Então não há cura para nosso sofrimento?
Há! A cura é nos tornarmos conscientes de que esse mar de emoções e pensamentos não é nosso verdadeiro eu. É somente um processo bioquímico que ocorre dentro do nosso organismo constantemente. Mas o fato destes serem perenes não os constituem numa identidade. Nosso verdadeiro eu não é o sentimento e nem o pensamento, mas a consciência que se dá conta que esse processo está ocorrendo constantemente.
Ao fazer isso, você se torna consciente. Ao se tornar consciente, vai se tornando menos reativo e compreende também que a realidade não é algo fixo, mas algo que você pode criar dando a forma que você quiser. A partir daí, você passa de escravo dos seus vícios para o criador supremo da sua vida.
*Marcelo Assis da Silva é astrólogo e escritor.
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