O que direciona nosso passo nas relações? * Por Cláudia Guglieri
O tipo de passo que cada um dá na sua dança relacional pode ser atribuído ao seu aprendizado. Cada pessoa desenvolve sua forma de se relacionar, ou seja, seu passo básico na dança relacional, ao longo de suas experiências infantis.
Tudo inicia com os nossos pais e nossos primeiros “cuidadores”. Estes serão os primeiros modelos relacionais que, em muitos casos até à adolescência, vão nos fornecendo noções de como interagir nas relações. Normalmente são as necessidades de afeto, aceitação, reconhecimento e validação das crianças que norteiam suas formas de se mostrar, de se colocar em um ambiente ou na presença de outra pessoa. No fundo, sempre buscando retorno amoroso por parte daqueles com quem convivem.
Estas formas de “ser” nos relacionamentos, iniciadas lá na infância, se constroem por tentativas de registros do que deu certo ou não – “deu certo, consegui, então vou repetir mais vezes” ou “não deu certo, vou tentar outra forma”.... A maior parte do processo do “eu relacional” se dá pela sensação de bom ou de ruim, e não pelo entendimento racional.
Quando temos a sensação de ter acertado o passo, achado o jeito que, na visão infantil, mais dá retorno, nos fixamos neste e seguimos agindo assim. Mas é justamente aí que, muitas vezes, cometemos alguns erros. O adulto de hoje nem sempre tem as mesmas solicitações da criança de ontem. Porém, estamos acostumados a agir como se as solicitações fossem as mesmas – a criança coloca “um óculos de ver situações” que o adulto acaba não trocando, e faz uma leitura a partir do que já estava acostumado a ver - e segue repetindo padrões.
No caso acima, o melhor é parar para dar uma avaliada no jeito de “olhar” as relações e as pessoas com quem convivemos. A troca de passos, muitas vezes, também depende de dar uma leve reformulada nos movimentos, pois nós sempre podemos aprender - com os outros e com a vida.
* Cláudia Guglieri é psicóloga relacional.
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