Outras faces da mulher *Por Cláudia Guglieri
Já que o dia das mães foi o assunto da semana passada e as mães o centro das atenções dos últimos dias, me ocorreu que, passado este domingo, seria interessante fazer uma referência a “outras facetas e lados” das mulheres que, além de mães, são namoradas, amantes, profissionais, donas de casa, amigas, leitoras ...
Em meu consultório tenho acompanhado diversas experiências destas mulheres em ser mãe. Mulheres que falam das maravilhas e das dificuldades e trazem não só o lado lindo - que para falar de coisas boas as pessoas não vão a um psicólogo - mas vêm falar do vendaval de mudanças no “eu” da mulher que passa a ser mãe.
Sem dúvida salta aos olhos o esbanjar de afetos e encantos que é ter uma criança. - É maravilhoso, único! Diz a maioria ao relatar cenas em que são protagonistas de experiências de tamanha ternura, que tornam fácil a doação e entrega de si.
Só que lá pelas tantas da conversa vem um “mas”... cuja seqüência é o nosso objeto de entendimento.
Tudo começa com uma sensação de estranhamento de si, acompanhada de um sentimento de impotência. Esta impotência está associada à capacidade de retomar a vida antiga, do seu jeito antigo de ser.
Também pudera após um mergulho tão profundo num universo tão diferente algumas coisas mudaram, dentro e fora.
O que acontece é que, passado o turbilhão dos primeiros meses ou do primeiro ano, as coisas começam a voltar para o seu lugar, mas um lugar diferente, um lugar onde os personagens principais já não são os mesmos, mudaram em seus jeitos de ver e sentir e entrou um terceiro personagem com o papel principal.
É isto que provoca a sensação de perda de si. As prioridades mudaram junto com os desejos, porque o sentido se desloca do “eu - tu” para o “eu - nós” como parte de si.
Pois bem, vamos encarar! Você de fato não é mais a mesma, ou seja, não são mais os mesmos, nem você, nem o companheiro (se houver um). Além disso, há um serzinho que centraliza bastante.
E assim que a correria diminui, retornam as antigas solicitações, as próprias, as do companheiro, das amigas, dos colegas do trabalho ... E aí ?
Aí que ser mãe faz mudar, mudar o jeito de ser feminina e mulher. Esta frase me lembra a música Feminina cantada pela Joyce: “Ô mãe, me explica, me ensina, me diz, o que é ser feminina ...”
Comece não querendo ser a mesma de antes, busque seu jeito ajustado de ser, jeito novo de namorar, seduzir e se divertir. Como a mulher mãe pode também ser sedutora e amante e como o pai homem pode achar o seu jeito de seduzir esta mulher que, tenho visto, agora está muito mais envolvida em afetos.
E, pra terminar, não precisa abandonar ou deixar de lado a vida profissional, a carreira. Repense, não precisa ser oito nem oitenta, experimentar um meio termo, diminuindo o nível de exigência, ajuda um bocado.
* Cláudia Guglieri é psicóloga relacional.
clagugli@gmail.com
www.claudiaguglieri.blogspot.com |